25/02/2007
Ski weekend in the French Alpes
20/10/2006
Trip to Japan - Yokohama / Kyoto / Tokyo
13/02/2006
Ski weekend in Isaberg, Sweden
01/02/2006
Um imbróglio diplomático

O jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou 12 caricaturas com representações do profeta Maomé (Nota: se não forem muçulmanos, podem ver os famosos cartoons aqui). O mundo árabe reagiu mais ou menos violentamente, mostrando o seu desagrado (com razão ou não, não me cabe a mim julgar). Mas mais uma vez, o que ressalta são as atitudes dos grupos e governos extremistas, que queimam bandeiras, fazem ameaças de morte e pôem a circular imagens muito mais graves do que aquelas publicadas pelo jornal dinamarquês. Tudo parece valer para destabilizar, assustar, e convencer os seus que estão numa guerra justa. Infelizmente, se alguma razão têm, perdem-na toda com estas atitudes. E logo contra a Dinamarca, provavelmente o país não-islâmico que melhor acolhe e integra outros povos, independentemente da sua religião ou raça.
Esta é uma luta errada, contra o país errado, pelo motivo errado.
31/07/2005
Os meus vôos durante o último ano
A gestão do meu tempo dá agora prioridade a outras coisas, outros momentos e outros eventos. Mas sei que vou ter pena de não registar mais histórias destes tempos nas páginas deste Blog, não só para partilhar convosco, mas essencialmente para mais tarde eu recordar. Como sumário, deixo apenas os registos dos meus "vôos" durante o último ano. As memórias, essas, ficarão apenas na minha cabeça e no meu álbum de fotografias.
September 2004 - Oxford e London, UK
October 2004 - Oslo, Norway
October 2004 - Heidelberg, Germany
December 2004 - Lisbon e Braga, Portugal
March 2005 - Isaberg, Sweden
March & April 2005 - Barcelona, Spain
April 2005 - Tallin, Estonia
April 2005 - Helsinkia, Finland
July 2005 - British Columbia e Alberta, Canada
and Berlin next weekend!
September 2004 - Oxford e London, UK
October 2004 - Oslo, Norway
October 2004 - Heidelberg, Germany
December 2004 - Lisbon e Braga, Portugal
March 2005 - Isaberg, Sweden
March & April 2005 - Barcelona, Spain
April 2005 - Tallin, Estonia
April 2005 - Helsinkia, Finland
July 2005 - British Columbia e Alberta, Canada
and Berlin next weekend!
04/08/2004
Outras Almas de Pássaro
Durante os nossos vôos muitas vezes nos cruzamos com outras "Almas" que vagueiam pelos mesmos cantos que nós. Com essas "Almas" criamos maior ou menos afinidade, e com algumas, as que mais nos dizem, voamos em conjunto durante grande parte do caminho. Mas, para quem voa, acaba sempre por chegar o momento da separação, a altura de cada um seguir o seu percurso. Desta vez não fui eu que parti; vi partir. E como é grande o vazio que fica...
Bons vôos, meus amigos, e voltem sempre que quiserem.
Bons vôos, meus amigos, e voltem sempre que quiserem.
02/08/2004
Visited countries: já andei por 8% do mundo! (updated)
06/07/2004
Estádio da Luz, 4 de Julho de 2004
Não sei qual a melhor foto para ilustrar isto mas... eu estive lá...

(Soube que tinha bilhetes para a final às 3 da tarde de 6a feira, começo à procura de bilhetes de avião às 15:30, hora e meia mais tarde e 750 euros depois telefono para Lisboa: "oi, amanhã chego às 10:00, Domingo tenho q estar no aeroporto às 9:00!!!". E aqueles gajos.... #%#&%&)

(Soube que tinha bilhetes para a final às 3 da tarde de 6a feira, começo à procura de bilhetes de avião às 15:30, hora e meia mais tarde e 750 euros depois telefono para Lisboa: "oi, amanhã chego às 10:00, Domingo tenho q estar no aeroporto às 9:00!!!". E aqueles gajos.... #%#&%&)
12/04/2004
"L'essentiel est invisible pour les yeux"

A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o principezinho.
— Cativa-me, por favor, disse ela.
— Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
— Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. (...) Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
excerto de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry
03/04/2004
100 & 1000
Ontem descobri que as notas de 100 e 1000 croas dinamarquesas são muito parecidas... não é todos os dias que ganhamos quase 30 contos sem dar por isso! (é bem feita! os dinamarqueses que mudassem para o Euro)
17/03/2004
Se eu fosse um animal seria (ou gostaria de ser, afinal) um gato...
(desculpem estes textos mais espirituosos, ainda por cima não meus, mas por vezes são remédios para a alma)
Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige. Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso , quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante , à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige. Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso , quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante , à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
Artur da Távola
Nós e os outros: Afinidades
Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais subtil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com, Não é sentir contra, Nem sentir para, Nem sentir por, Nem sentir pelo. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo é olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com, Não é sentir contra, Nem sentir para, Nem sentir por, Nem sentir pelo. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo é olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.
Artur da Távola
15/03/2004
San Diego - Lisboa - Copenhaga
Com alma de pássaro saí de San Diego no já longínquo dia 23 de Novembro de 2003, com um coração cheio de memórias. Em Lisboa me refugiei durante três meses. Dia 29 de Fevereiro parti para Norte, para a Dinamarca. Aqui terei o meu ninho nos próximos três anos.
22/11/2003
Count down: faltam 2 dias
Faltam 2 dias para chegar a Lisboa e pouco mais de 30 horas para embarcar, num regresso há muito anunciado. Os últimos dias foram intensos de trabalho, de emoções e de despedidas. Neste momento só resto eu, uma casa vazia, e muitas memórias. Parto com a sensação que fiz tudo o que queria fazer, o que me reconforta a alma e torna a partida mais fácil e natural.
Acabei de voltar do cinema e o último filme não podia ter mais significado do que o que acabei de ver - Actually Love, um filme britânico com Hugh Grant, Emma Thompson, Liam Neeson e muitos outros actores famosos. Um filme sobre o amor, que acaba como começa: no terminal de chegadas de um aeroporto, ponto de encontros e re-encontros, onde os sentimentos dominantes são a amizade e o amor. Uma nota curiosa é que cerca de 5% do filme é falado em português, devido a participação de uma actriz portuguesa! (para saberem quem, vão ter que procurar!). Infelizmente, e por muito que se faça para passar cada vez mais a imagem de um país moderno - umas das minhas missões durante estes 9 meses - 2 horas de cinema apresentam a estes americanos a imagem de um Portugal pobre e inculto, em que a portuguesa não é mais que uma empregada que nem sabe falar inglês, e em que a sua família é motivo de galhofa para toda a audiência. Como todos os estereótipos, tem o seu valor e significado, mas quem é que explica aos americanos o que é um estereótipo ??!!!!
Este é o último post que escrevo de San Diego. Adeus, San Diego, e até um dia!
Acabei de voltar do cinema e o último filme não podia ter mais significado do que o que acabei de ver - Actually Love, um filme britânico com Hugh Grant, Emma Thompson, Liam Neeson e muitos outros actores famosos. Um filme sobre o amor, que acaba como começa: no terminal de chegadas de um aeroporto, ponto de encontros e re-encontros, onde os sentimentos dominantes são a amizade e o amor. Uma nota curiosa é que cerca de 5% do filme é falado em português, devido a participação de uma actriz portuguesa! (para saberem quem, vão ter que procurar!). Infelizmente, e por muito que se faça para passar cada vez mais a imagem de um país moderno - umas das minhas missões durante estes 9 meses - 2 horas de cinema apresentam a estes americanos a imagem de um Portugal pobre e inculto, em que a portuguesa não é mais que uma empregada que nem sabe falar inglês, e em que a sua família é motivo de galhofa para toda a audiência. Como todos os estereótipos, tem o seu valor e significado, mas quem é que explica aos americanos o que é um estereótipo ??!!!!
Este é o último post que escrevo de San Diego. Adeus, San Diego, e até um dia!
10/11/2003
Nove meses
Faz hoje 9 meses que cheguei a esta terra. 9, o número que marca o fim de um ciclo e o recomeçar de uma "nova" vida. Que o recomeçar traga muitas coisas boas a todos os Contacteantes que acabaram/estão prestes a acabar este ciclo.
O número 9 maçónico: É o princípio da Luz Divina, Criadora, que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra, exprime externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra. O homem novenário que pelo triplo do ternário, é a união do absoluto com o relativo, do abstrato com o concreto. O número 9, é o número dos Iniciados e dos Profetas.
O número 9 sagrado: A humanidade. O número raiz do presente estado de evolução humana. O número de Adão. O número da iniciação: assinala o fim de uma fase de desenvolvimento espiritual e o início de outra fase superior. As 9 esferas celestes e os 9 espíritos elevados que as governam. O ilimitado. Os 9 orifícios do corpo humano. Os 9 meses da gravidez. O número dos ciclos humanos temporais na Terra.
(E depois disto, que tal uma visita à Quinta da Regaleira, em Sintra ???)
O número 9 maçónico: É o princípio da Luz Divina, Criadora, que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra, exprime externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra. O homem novenário que pelo triplo do ternário, é a união do absoluto com o relativo, do abstrato com o concreto. O número 9, é o número dos Iniciados e dos Profetas.
O número 9 sagrado: A humanidade. O número raiz do presente estado de evolução humana. O número de Adão. O número da iniciação: assinala o fim de uma fase de desenvolvimento espiritual e o início de outra fase superior. As 9 esferas celestes e os 9 espíritos elevados que as governam. O ilimitado. Os 9 orifícios do corpo humano. Os 9 meses da gravidez. O número dos ciclos humanos temporais na Terra.
(E depois disto, que tal uma visita à Quinta da Regaleira, em Sintra ???)
04/11/2003
Aloha!
Durante quatro dias sonhei, e hoje acordei do sonho. Um sonho fantástico e inesquecível, passado nesse pequeno paraíso ao de cimo da Terra chamado Maui. Sonhei que tomava banho naquela água quente e límpida, que nadava com os peixinhos coloridos e com as tartarugas na cratera de Malokini, que atravessava descalça sobre as pedras de um riacho para poder chegar a uma linda lagoa onde desaguava uma cascata. Sonhei que atravessava a imensidão verde e florida da floresta tropical ao longo do tortuoso caminho para Hana, e que tentava chegar ao cimo do vulcão Haleakala para daí ver toda a ilha e até ao fim do mar. Sonhei que tinha ao pescoço um lindo Lei cor-de-rosa que perfumava tudo à minha volta. Sonhei com um Luau cheio de bailarinas de Hula, enquanto homens faziam habilidades com fogo. Sonhei que estava sentada num sítio lindo, a olhar para o mar, e com vontade de ali ficar para sempre.
São os sonhos que fazem a nossa vida avançar e lhe dão sentido. Bons sonhos, meus amigos!
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
in Pedra Filosofal, de António Gedeão
São os sonhos que fazem a nossa vida avançar e lhe dão sentido. Bons sonhos, meus amigos!
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
in Pedra Filosofal, de António Gedeão
30/10/2003
Hoje sonhei...
... com uma terra de sonho, em que a cor laranja do céu não era fogo, apenas um lindíssimo pôr-do-sol.
29/10/2003
Os fogos de San Diego: dias 2 e 3
A fúria do fogo contínua a devorar mato e casas no condado de San Diego. Uma página que ilustra a destruição ocorrida é esta.
Dia 2: 2ª feira e a cidade parecia uma cidade fantasma. Na rua não se via nem ouvia ninguém. As ordens eram para ficar em casa e reduzir ao máximo o consumo de água e electricidade. Como mal preguei olho de Domingo para 2ª, aproveitei para ir dormindo nos intervalos dos telefonemas feitos de Portugal a perguntar se estava tudo bem comigo. Entretanto, a frente que estava mais próxima do sítio onde moro foi completamente extinta, o que foi um enorme alívio. Na rua continuava a cheirar a queimado, mas já se conseguiam ver bocadinhos de céu azul.
Dia 3: 3ª feira, primeiro dia de regresso ao trabalho desde os inícios dos fogos de San Diego. Por pouco tempo. Mesmo com sistemas de ventilação super modernos, o cheiro dentro dos laboratórios era insuportável, mal conseguia respirar. Preparei o que tinha a preparar, e duas horas depois de ter chegado voltei a sair, entretanto equipada com uma máscara daquelas que se usavam nos tempos da SARS. Na rua o cenário continuava apocalíptico, com o sol vermelho a perfurar nuvens de fumo densas, enquanto os tons castanhos e cinzentos e laranjas e vermelhos do céu assombravam a cidade. Às duas da tarde parecia noite. Entretanto Julian, a cidade das macãs, foi evacuada. Espero que isto acabe depressa :(
Dia 2: 2ª feira e a cidade parecia uma cidade fantasma. Na rua não se via nem ouvia ninguém. As ordens eram para ficar em casa e reduzir ao máximo o consumo de água e electricidade. Como mal preguei olho de Domingo para 2ª, aproveitei para ir dormindo nos intervalos dos telefonemas feitos de Portugal a perguntar se estava tudo bem comigo. Entretanto, a frente que estava mais próxima do sítio onde moro foi completamente extinta, o que foi um enorme alívio. Na rua continuava a cheirar a queimado, mas já se conseguiam ver bocadinhos de céu azul.
Dia 3: 3ª feira, primeiro dia de regresso ao trabalho desde os inícios dos fogos de San Diego. Por pouco tempo. Mesmo com sistemas de ventilação super modernos, o cheiro dentro dos laboratórios era insuportável, mal conseguia respirar. Preparei o que tinha a preparar, e duas horas depois de ter chegado voltei a sair, entretanto equipada com uma máscara daquelas que se usavam nos tempos da SARS. Na rua o cenário continuava apocalíptico, com o sol vermelho a perfurar nuvens de fumo densas, enquanto os tons castanhos e cinzentos e laranjas e vermelhos do céu assombravam a cidade. Às duas da tarde parecia noite. Entretanto Julian, a cidade das macãs, foi evacuada. Espero que isto acabe depressa :(
27/10/2003
San Diego on fire

Em San Diego County vivem-se horas de pânico e de terror. Desde as 3h da manhã de Domingo que lavram diversas frentes de fogo. Ao início eram três. Os ventos fortes, a florestação seca e as casas de madeira fizeram com que as frentes sejam agora pelo menos oito. Neste momento arderam mais de 50 mil hectares de mato e mais de 300 casas. O fogo está a aproximar-se a passos largos para oeste.
De manhã quando acordei o cenário era dantesco. O céu estava cinzento e castanho, coberto por uma espessa camada de fumo e cinzas; o sol avermelhado, como se chorasse lágrimas de sangue pelas casas que via arder; o chão, as varandas, a água da piscina e mesmo as nossas roupas estavam cobertas por cinzas que caiam do ar. O cheiro a queimado asfixiava e chamava a atenção de que o fogo devia estar bastante perto. Contudo, não se viam grandes movimentações. Não fosse o resto e até parecia ser um Domingo normal.
Passei o dia fechada em casa a ver televisão, a assistir impotente à destruição de casas, algumas verdadeiras mansões. Vidas e heranças destruídas em poucos minutos por aquelas massas de fogo furiosas. Os conselhos transmitidos pela televisão foram de verdadeiro serviço público: "não consuma água que não a essencial", "não tenha gastos de energia que não os necessários, para TV e frigorífico", "mantenha as portas e janelas de casa fechadas", "se lhe foi dada ordem para evacuar, diriga-se a ...", " se tem animais e teve de evacuar a sua casa, pode deixá-los em ....", "as autoestradas I15, I52, I805 estão fechadas", "o Major sugere aos empregadores que amanhã mantenham os negócios encerrados".
O cenário continua dantesco e parece que assim irá continuar mais uns dias. Apesar do fogo estar apenas a uns 7 Km da minha casa e de eu estar na direcção e sentido em que o fogo tem alastrado, tudo me leva a crer que estou aqui segura. As próximas horas o confirmarão.
24/10/2003
Count down: faltam 31 dias
Daqui a precisamente um mês estarei a voar em direcção a Lisboa, com um nó na garganta, enquanto rebobinarei mentalmente os acontecimentos que marcaram os últimos 9 meses da minha vida. Na memória estarão nove meses intensos de experiências e lugares novos, numa cidade fabulosa, num país que tem de tudo para nos oferecer. Começarei por pensar na frase profecticamente falsa "It never rains in San Diego", que me disseram no já tão longínquo dia 10 de Fevereiro de 2003, quando aterrei no Aeroporto Lindbergh. Depois, lembrarei a chuva dos primeiros dias enquanto não tinha carro e procurava casa a pé, e as formigas com quem partilhei os meus primeiros cereais, pagos a preço de ouro nessa catedral das compras chamada Ralphs. Lembrarei a casa, a empresa e os amigos deixados, lembrarei a Igreja Mormon que todos os dias assinalava o desvio de saída da auto-estrada, lembrarei as praias e os pôr-do-sol de La Jolla e Pacific Beach que acalmavam a alma num "adeus, amanhã cá estarei novamente", lembrarei os sushi e os burritos que tão farta me deixaram de comida japonesa e mexicana. Lembrarei todos os bocadinhos aqui passados, as molhas do Shamu, as maçãs de Julian, a imensidão do Grand Canyon. E vou com a memória cheia das cidades que visitei: New York, Washington DC, New Orleans, San Francisco, Las Vegas e Los Angeles, cidades que me encheram com a coragem e certeza de que um dia voltarei. Muito ficou por ver e fazer, mas é sempre assim.
Partirei com um nó na garganta e sei que as lágrimas teimarão em cair. Mas sei que do outro lado do oceano estarão aqueles que as saberão secar.
Partirei com um nó na garganta e sei que as lágrimas teimarão em cair. Mas sei que do outro lado do oceano estarão aqueles que as saberão secar.
22/10/2003
Blogs por emails
Não, não caiu nenhum avião em cima de mim, apenas um pouco mais de trabalho do que é habitual. Acontece que o tempo que antes dedicava a escrever para o Blog, tem sido usado nos últimos dias para responder a emails de pessoas interessadas em comprar todo o recheio da minha casa aqui em San Diego. Para esta tarefa complicada, tenho contado com a ajuda preciosa de um site muito útil chamado Craigs List. Até agora muitas propostas mas poucas vendas :(
Já sabem, se conhecerem alguém em San Diego que queria comprar um carro, deêm-lhe a minha morada!
Já sabem, se conhecerem alguém em San Diego que queria comprar um carro, deêm-lhe a minha morada!
17/10/2003
Pelos céus de San Diego
Seis meses depois, voltei a sentir o receio que senti aquando da Guerra no Iraque. Ontem e hoje, os céus de San Diego voltaram a ser sobrevoados por F-18 do esquadrão Blue Angels, F-117, e outros com aspecto de fazerem parte do meu imaginário de ficção científica. Ao longo do dia, várias são as vezes que sinto tudo a estremecer, após milimétricas razias ao edifício onde trabalho. Ao barulho ensurdecedor juntam-se manobras magníficas, e nuvens de fumo desenhadas artisticamente pelo rasto da passagem.
Finalmente, percebi o que se passava: desta vez não são exercícios de guerra, apenas um festival aéreo a decorrer a pouco mais de 3 quilómetros daqui. Com manobras de outro mundo! Tentarei ver mais no fim-de-semana.
15/10/2003
O meu primo Simão

Hoje nasceu o meu primo Simão. É com muita pena minha que não poderei estar presente nos primeiros dias da vida dele, nem felicitar entusiasticamente os papás babados. É nestas alturas que custa estar tão longe, e se compreende bem que estar a 16 horas de vôo de casa é MUITO diferente de estar na Europa, a apenas ~ 3 horas da família e amigos.
As Maiores Felicidades do Mundo para o Simão e para os seus papás.
14/10/2003
Coisas de que vou ter saudades
O português é especialista em ter saudades. Quando está longe de casa tem saudades da família, dos amigos, do café, da açorda e das sardinhas. Saudades da cidade, das ruas e lugares, dos cheiros e das cores. Tem saudades dos sítios do dia-a-dia, do cão do vizinho e do caminho que todos os dias percorria. E tem ainda saudades de passar por onde se podem matar saudades de outras saudades.
Já aqui por diversas vezes deixei expresso este sentimento que me está nos genes. Mas hoje um novo tipo de saudades se apoderou de mim: as saudades por antecipação. Saudades das coisas que aqui faço, e que nunca mais farei. Saudades das coisas que aqui tenho, e que nunca mais terei.
Aqui tenho o sol e o calor o ano inteiro, tenho os desertos, as montanhas e o mar, tenho locais de uma beleza tão grande que por vezes me fazem chorar. Tenho supermercados com quinhentos mil produtos parecidos por entre os quais posso escolher, tenho mil lojas por onde procurar aquilo que mais gosto. Em termos materiais, aqui está tudo o que posso precisar e mais algumas coisas que ainda não percebi para que poderão servir.
E há aquelas coisas que nunca mais farei. Hoje, por exemplo, cheguei a casa às seis e meia da tarde, já noite. Vesti o fato de banho e fui para a piscina do condomínio, ao ar livre mas com água aquecida. Levei os óculos de snorkling que ontem comprei, já a pensar nesse último grande fim de semana de passeio que vem a caminho, algures numa praia do Pacífico, por alturas do Halloween. E hoje, ali estava eu, sob o céu e as estrelas, a nadar, mas com Alma de Pássaro.
Já aqui por diversas vezes deixei expresso este sentimento que me está nos genes. Mas hoje um novo tipo de saudades se apoderou de mim: as saudades por antecipação. Saudades das coisas que aqui faço, e que nunca mais farei. Saudades das coisas que aqui tenho, e que nunca mais terei.
Aqui tenho o sol e o calor o ano inteiro, tenho os desertos, as montanhas e o mar, tenho locais de uma beleza tão grande que por vezes me fazem chorar. Tenho supermercados com quinhentos mil produtos parecidos por entre os quais posso escolher, tenho mil lojas por onde procurar aquilo que mais gosto. Em termos materiais, aqui está tudo o que posso precisar e mais algumas coisas que ainda não percebi para que poderão servir.
E há aquelas coisas que nunca mais farei. Hoje, por exemplo, cheguei a casa às seis e meia da tarde, já noite. Vesti o fato de banho e fui para a piscina do condomínio, ao ar livre mas com água aquecida. Levei os óculos de snorkling que ontem comprei, já a pensar nesse último grande fim de semana de passeio que vem a caminho, algures numa praia do Pacífico, por alturas do Halloween. E hoje, ali estava eu, sob o céu e as estrelas, a nadar, mas com Alma de Pássaro.
13/10/2003
Kill Bill
=
+
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Ontem fui ver o Kill Bill, 4º filme do mestre Tarantino, que estreou há 4 dias nos EUA e é já um estrondoso sucesso. Kill Bill é a história de uma vingança servida a frio, num filme repleto de acção e violência, mas com um sentido estético que nos surpreende em cada cena. Personagens brilhantes, interpretadas magnificamente por todos, com Uma Thurman (a eterna musa de Tarantino) e Lucy Liu (The Charlie's Angels) em grande. Pelo meio muitas são as surpresas que o Tarantino preparou...
12/10/2003
Errata ao post Schwarzenegger ao Poder!
Após chamada de atenção do Gasel, e ao contrário do que escrevi no post "Schwarzenegger ao Poder!", o Arnoldinho não é o primeiro actor a ser eleito Governador da Califórnia, mas pelo menos o segundo. O primeiro terá sido Ronald Reagan (nos anos 1967-1975). Aqui pode ser consultada a lista de todos os governadores deste estado norte-americano.
10/10/2003
Experiência pré-traumática
Hoje tive a minha primeira experiência traumática pré-regresso-a-Portugal! O choque foi tal que confesso que fiquei com medo de nunca mais me conseguir voltar a adaptar à realidade portuguesa.
Habituada que estou a telefonar para um qualquer serviço americano e ter um atendimento simpático, eficaz e demonstrador de respeito pelo cliente (como me parece lógico que aconteça em qualquer economia de livre concorrência), hoje tive de telefonar para uma Fundação portuguesa, organismo do Estado, e minha futura entidade financiadora. Acordei mais cedo para conseguir apanhar alguém às 15h, "plena hora de trabalho" pensei. Primeira tentativa. Trim, trim... trim, trim....trim, trim... Nada. Passados dois minutos resolvi desligar. Segunda Tentativa. Trim, trim... trim, trim... trim, trim... Desta vez decidi esperar. Ao fim de três minutos, alguém atendeu. "Boa tarde, gostaria de falar com alguém dos Recursos Humanos", "Só um momento" respondeu uma senhora com voz chateada por eu ter interrompido algo muito mais importante como a leitura da Nova Gente, no exacto momento em que iria ficar a saber se a Jennifer Lopez voltaria a casar com o Ben Affleck. Rapidamente me passou a chamada. Novamente, trim, trim.... trim, trim.... trim, trim... Dois minutos depois uma voz responde "Aguarde" e eu "Ah?!" e a voz "Aguarde". E pronto, lá aguardei. Desta vez foi rápido. Um minuto volvido apareceu outra senhora, também com voz de poucos amigos por ter de falar ao telefone com alguém desconhecido. A conversa não vou reproduzir, mas as respostas pouco mais foram do que "não sei", "essa não é a minha responsabilidade", "ninguém lhe irá responder, tem de aguardar". Fiquei sem perceber porque dão este telefone como número a telefonar em caso de serem necessários esclarecimentos. E pensar que esta será a entidade que irá pagar o meu "subsídio de sobrevivência" nos próximos anos...
Habituada que estou a telefonar para um qualquer serviço americano e ter um atendimento simpático, eficaz e demonstrador de respeito pelo cliente (como me parece lógico que aconteça em qualquer economia de livre concorrência), hoje tive de telefonar para uma Fundação portuguesa, organismo do Estado, e minha futura entidade financiadora. Acordei mais cedo para conseguir apanhar alguém às 15h, "plena hora de trabalho" pensei. Primeira tentativa. Trim, trim... trim, trim....trim, trim... Nada. Passados dois minutos resolvi desligar. Segunda Tentativa. Trim, trim... trim, trim... trim, trim... Desta vez decidi esperar. Ao fim de três minutos, alguém atendeu. "Boa tarde, gostaria de falar com alguém dos Recursos Humanos", "Só um momento" respondeu uma senhora com voz chateada por eu ter interrompido algo muito mais importante como a leitura da Nova Gente, no exacto momento em que iria ficar a saber se a Jennifer Lopez voltaria a casar com o Ben Affleck. Rapidamente me passou a chamada. Novamente, trim, trim.... trim, trim.... trim, trim... Dois minutos depois uma voz responde "Aguarde" e eu "Ah?!" e a voz "Aguarde". E pronto, lá aguardei. Desta vez foi rápido. Um minuto volvido apareceu outra senhora, também com voz de poucos amigos por ter de falar ao telefone com alguém desconhecido. A conversa não vou reproduzir, mas as respostas pouco mais foram do que "não sei", "essa não é a minha responsabilidade", "ninguém lhe irá responder, tem de aguardar". Fiquei sem perceber porque dão este telefone como número a telefonar em caso de serem necessários esclarecimentos. E pensar que esta será a entidade que irá pagar o meu "subsídio de sobrevivência" nos próximos anos...
Palavras similares
Amostra condensada de gaffes ditas ou ouvidas:
- Ana, deixa-me introduzir-te o Jeff
- Não tinha realizado que ele era tão giro ;)
- :)
- Hi Jeff, are you Su's new company?
- I'm Su's friend. And actually, we met at work. Nice to meet ya'.
- Nice to meet you. I've heard you're constipated. Are you feeling better?
- Constipated ???!!!! No, it's just a cold.
- Feeling cold? Oh, I'm feeling so hot!
...
Nota: Todas as personagens e situações são pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência.
- Ana, deixa-me introduzir-te o Jeff
- Não tinha realizado que ele era tão giro ;)
- :)
- Hi Jeff, are you Su's new company?
- I'm Su's friend. And actually, we met at work. Nice to meet ya'.
- Nice to meet you. I've heard you're constipated. Are you feeling better?
- Constipated ???!!!! No, it's just a cold.
- Feeling cold? Oh, I'm feeling so hot!
...
Nota: Todas as personagens e situações são pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência.
09/10/2003
Novas cores no Blog, e um Poema.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luíz de Camões, in Edição de Lobo Soropita (1595)
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luíz de Camões, in Edição de Lobo Soropita (1595)
08/10/2003
Schwarzenegger ao Poder!
Hoje foi um dia histórico aqui por Terras do Tio Sam: para além de, pela primeira vez, um actor ter sido eleito Governador do Estado norte-americano onde a indústria cinematográfica domina, ficámos a saber que nos próximos anos o Estado antes conhecido por Califórnia passará a chamar-se Cauifórnia.
Agora já só se comenta "Schwarzenegger a Presidente!!!"
Agora já só se comenta "Schwarzenegger a Presidente!!!"
07/10/2003
Terminator 4: À Conquista da Califórnia
06/10/2003
Postal de San Francisco
Este fim-de-semana fui a San Francisco passear. Foram só dois diazitos, mas bem preenchidos. Fui a Alcatraz, ao Pier 39 (que festejava o dia do seu 25º Aniversário), andei a pé pelo sobe-e-desce daquelas ruas, Chinatown, Little Italy, Union Square, Embarcadero, Yerba Gardens e Castro. Muitos dos sítios que ficaram por ver desta vez já os tinha visto há dois meses atrás, quando lá fui pela primeira vez. O San Francisco Museum of Modern Art terá de ficar para a próxima, já que a fila quase dava a volta ao edifício.
Estar em San Francisco foi sentir-me por dois dias mais próxima de Lisboa. A Golden Gate a lembrar a Ponte 25 de Abril quer fisicamente quer na geografia circundante; a cidade compacta, por onde nos podemos deslocar a pé; as colinas com as suas muitas subidas e descidas; o frio e o sol (que falta faziam ali umas castanhinhas assadas!); o eléctrico a subir a tapada. E nem faltou o bife com batatas fritas e ovo a cavalo acompanhado por uma Sagres, e um arroz doce para sobremesa! E a bandeira portuguesa, em pleno Union Square!
Cada vez mais, tudo parece um prelúdio do regresso a Lisboa, que está para breve, antes da partida para Copenhaga.








